Sofisticação, inovação e reverência.
- Stanley Netto
- 14 de ago.
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Ele cresceu imerso no samba de roda baiano, o que acabou por trazer para sua obra uma cadência e uma perspectiva diferente do samba urbano carioca.
No final dos anos 60, durante o movimento Tropicalista enquanto setores mais conservadores da MPB viam a guitarra elétrica e elementos pop com desconfiança, ele usou esses recursos para expandir as fronteiras do samba. Provando que colocar guitarras, arranjos orquestrais complexos e elementos do rock não "destruía" o samba, mas o projetava para o futuro.
Caetano não encarou o samba apenas como um gênero folclórico a ser preservado intacto, mas como uma linguagem viva, plástica e capaz de absorver qualquer transformação cultural.
Para Caetano, o samba é também uma ferramenta filosófica e política. Músicas como "Desde que o Samba é Samba" sintetizam perfeitamente essa relação: o samba como resposta à dor, como forma de resistência e como a expressão máxima da identidade brasileira.
Todas essas nuances - características tão presentes na personalidade artística de Caetano Veloso - conversam intimamente com a idéia que eu tive para o projeto "(samba) na tomada"; o respeito a grandiosidade do samba, sua importância, dentro de um contexto histórico e sua plasticidade artística que promove uma enorme capacidade de se mesclar a outras linguagens sonoras e visuais.
Celebrar (e inserir) Caetano no projeto, é ter a certeza de que o samba é muito mais do que apenas uma linguagem musical. é uma referência cultural que vai além de qualquer fronteira, é a vida que pulsa rítmica em síncope e harmonia.
Até a próxima postagem !
Stanley


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